Por Luciana G. Rugani
Recentemente, o Ministério do Turismo elaborou a lista de roteiros turísticos para os visitantes da Copa 2014 e indicou cento e oitenta e quatro destinos, sendo dez do Estado do Rio de Janeiro, deixando de fora a cidade de Cabo Frio.
É… os tempos são outros! Uma cidade que, pela relevância do desenvolvimento obtido, já foi considerada capital da Região dos Lagos, antes reconhecida como um dos principais destinos turísticos do Brasil e hoje não é indicada para compor uma lista de dez roteiros turísticos no estado! No governo de Alair Corrêa, a cidade possuía eventos diversificados durante todo o ano, pois, justamente por ser uma cidade atrativa, era muito visada para a realização dos mesmos. Assim, o turismo permanecia o ano todo. O trabalho de divulgação era intenso. Lembro-me bem de ter assistido, por volta de 2000, ou 2001, um programa de TV na capital mineira que falava sobre o sistema de setorização cromática, idealizado por Alair, que levou a cidade a ser classificada como a mais limpa do Brasil. O programa mostrou a limpeza das ruas e o entrevistou. Ouviam-se boas notícias da cidade fora de suas fronteiras.
Ultimamente, a cidade tem sido manchete dos jornais através de notícias sobre violência, favelização, problemas na saúde e educação, e por aí vai. Infelizmente são muitos os problemas acumulados, e isso afasta grande parte dos turistas, principalmente aqueles que vivem nas capitais e que buscavam a cidade justamente porque era um lugar tranquilo, seguro e acolhedor, diferente de suas cidades de origem. Além disso, a cidade está há sete anos sem planejamento direcionado ao turismo. Até hoje a cidade não possui seu Plano Diretor de Turismo, apesar da obrigatoriedade prevista no § 2º do art. 243 da Lei Orgânica Municipal, e, pelo que temos observado, caso existisse seria mais um documento a simplesmente cumprir uma formalidade, visto que, em termos de ações e atitudes (apesar da arrecadação bilionária) os últimos anos foram de completa paralisia no setor.
Vale reler trecho da matéria que saiu no Jornal de Turismo, em julho/11:
“Já Cabo Frio quer acabar com o estigma de ‘cidade onde cariocas buscam passar apenas o verão’. A prefeitura montou um calendário de eventos…, além de festivais gastronômicos… Com a divulgação dos dados do Censo 2010, constatou-se um número elevado de residências fechadas” (trecho do artigo “Cidades da Região dos Lagos (RJ) participam do Salão Nacional de Turismo”, publicado no dia 11/07/11, no Jornal de Turismo – http://www.jornaldeturismo.com.br )
Já há algum tempo que não passa despercebido o fato do turismo ter decaído na região. E, para atacar realmente esta questão, não basta simplesmente estabelecer um calendário de eventos. No governo Alair, havia todo um conjunto de ações, um planejamento estratégico que culminava no turismo o ano inteiro, o que quer dizer: havia um planejamento turístico sustentado por medidas concretas em relação a questões de infraestrutura. Como a cidade investia em melhores condições de segurança, saúde, urbanização, incentivo e apoio a empreendimentos hoteleiros, naturalmente era atrativa para muitos eventos e ainda contava com intensivo trabalho de divulgação que correspondia à sua realidade. É como diz o § 1º do art. 243 da Lei Orgânica: “O Município definirá a política municipal de turismo, buscando proporcionar as condições necessárias para o pleno desenvolvimento da atividade”. E, as condições necessárias para o pleno desenvolvimento da atividade, a que se refere o artigo, também passam pela questão da segurança, do emprego, das condições sociais de sua população carente e pela limpeza e conservação das praias e dos bens públicos, pois, sem um efetivo empenho por parte do governo municipal para melhorar estas questões, a eficácia de qualquer política de turismo fica comprometida, fica difícil reerguer a cidade ao patamar, antes ocupado, de cidade com reconhecimento nacional no turismo.
Agora solicitam uma reavaliação da decisão e clamam pela inclusão da cidade no roteiro 2014 utilizando argumentos que não condizem com a realidade, entre eles o de que os serviços médicos são referência para os moradores da região. Acontece que já foi assim no governo de Alair, pois Cabo Frio era a cidade mais procurada para atendimentos, mas, hoje, a história é outra. Hoje as notícias chegam numa velocidade surpreendente em qualquer lugar deste país e do mundo, e o que mais temos visto são notícias de problemas sérios na saúde cabofriense, como surtos de diversas doenças e moradores de Cabo Frio tendo que buscar atendimento em hospitais de outras cidades da região.
Para concluir, independente do resultado do pedido de reavaliação, é preciso que haja a conscientização de que essa questão da não inclusão da cidade no roteiro da copa é um importante sinal de alerta que traduz claramente a irrelevância da cidade, hoje, no cenário turístico brasileiro, confirmando, a nível nacional, o que já percebemos por aqui: a inexperiência administrativa da gestão atual, que permitiu a perda de conquistas antes notórias e conhecidas em todo o país.





Cabo Frio é uma cidade privilegiada pela beleza natural. A capacidade turística é mesmo um aspecto a ser levado muito a sério.
Para o reconhecimento do turista como uma cidade que apóia em segurança, saúde e acolhimento social é necessário a busca de novas medidas que deram certo em outras cidades e de inovação administrativa.
• Estou abismada comigo mesma! Sempre fui muito observadora e hoje – do nada; me dei conta do quanto esta cidade está largada ao Deus dará, acho que andei olhando para o chão – como no samba do Chico Buarque. Mas, o dia estava lindo e ergui os olhos para apreciar minhas coisas mais queridas, e “vi” o Convento de N. S. dos Anjos como não o via desde sei lá quando. Foi um choque! O abandono é total, e só vendo do lado de fora – imagino eu como estará por dentro… Juro que tive vontade de chorar!
• Não posso culpar a municipalidade pelo estado do MART, embora a tentação seja imensa, mas com certeza isto, que finalmente ”vi” (não é o mesmo que olhar), é uma espécie de conseqüência do estado geral da cidade. Uma cidade triste e de braços caídos em uma impotência irremediável. Mas de que adianta constatar os culpados óbvios – agora sou muito capaz de entender a reclusão (ou hibernação como queiram) voluntária de meu amigo Walter Biancardine… E sem pudor lhe faço coro: que venha a LUZ!
• Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver! E meus caros, eu acabei vendo, e uma vez visto o caminho é sem volta, a imagem do “visto” fica lá – como marcado a ferro na lembrança, e quanto mais se tente iludir a dor por ela provocada, mais intensa e profunda ela se torna. Devo lhes declarar que a cidade me dói! Perdoem-me o desabafo, mas sem ele não poderia chegar nem até ao banheiro para vomitar…
• A barbárie grassa em Cabo Frio de tal forma e com tal abrangência, que qualquer ser pensante normal fica refém de uma espécie de acesso “tetânico” paralisante, e pelo que me lembro, a próxima etapa seria a necrose, cuja cura (leia-se sobrevivencia) dependeria de uma amputação. Senhores doutores médicos se estiver eu equivocada me corrijam, por favor!
• Porém, se a afirmação acima for correta, por onde começar? Pelos pés? Pela cabeça? Por algum órgão interno? Afinal, onde começou a podridão? Os diagnósticos são tantos… E todos tão tardios! A doença foi insidiosamente se instalando, e nós – soberbos idiotas – tentamos curá-la com os chazinhos das nossas queridas vovós. Crentes que era só uma destas afecções típicas e inconseqüentes que afetam as crianças, que passam e até as tornam menos vulneráveis…
• Senhoras e senhores, jovens e vestutas criaturas que habitam – merecidamente ou não – esta maravilhosa terra denominada Cabo Frio! Em verdade vos digo: o comedão se transformou, por nosso descaso e comodismo, em uma epidemia septicemica generalizada! E mais não digo, pois sei que mais uma vez não me darão crédito!
Até amanhã – se amanhã houver!
Beh Michel
Uma cidade que pretende ser turística não importa a época do ano,tem que ter atrações turísticas em seu calendário para conquistar os visitantes. Não se pode ficar refém do turismo do sol, durante o inverno aconchegante é o momento de propiciar aos turistas outras opções de entretenimento, como turismo ecológico, de negócios e outros. Isto não exclui a obrigação da cidade contar com bons hotéis e pousadas, uma deliciosa e diferenciada gastronomia também satisfaz e atrai os turistas. Mas acima de tudo devemos ter um transito organizado, uma cidade limpa e um sistema de segurança eficaz em toda a cidade (não só em alguns pontos). Então para atrair turista o governo municipal deve investir em infra-estrutura. Não se esquecendo de ter uma rede de saúde pública de boa qualidade. O município que deseja tirar uma fatia desta indústria que mais cresce no mundo, deve atrair investimentos para este setor. Todo gestor público sabe que o turismo é uma atividade que está em crescimento a nível nacional e internacional, o aquecimento do setor obriga a desenvolver políticas públicas que atendam a este crescimento. Porém lamentavelmente não vemos nada disto acontecer.
Por FAUSTO MACEDO, ENVIADO ESPECIAL, estadao.com.br, Atualizado: 28/1/2012 7:03
Juízes culpam mensalão por crise do Judiciário
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Com os nervos à flor da pele, resultado da crise de credibilidade após revelações de movimentações financeiras atípicas de magistrados, a elite da toga, reunida em Teresina, apontou ontem interesses de ‘emparedar’ o Supremo Tribunal Federal exatamente no ano em que será julgado o maior escândalo da Era Lula.
O mensalão pode ser o pano de fundo da turbulência que atravessa a magistratura, desconfiam líderes da classe, doutos desembargadores e desembargadoras que presidem os 27 Tribunais de Justiça do País e que estão reunidos desde quinta-feira para debater o ‘aprimoramento das atividades’ do Poder que julga.
Sem citar explicitamente os nomes dos inimigos – por cautela, até que se prove o contrário, como manda o rito processual, adotam o silêncio quando instados a identificar quem os aflige -, magistrados acreditam que ‘alguns réus’ do processo criminal que desafia o STF ou pessoas ligadas a eles estão à sombra de uma trama bem urdida para desestabilizar o Judiciário. Entre os 38 réus do mensalão, pontuam os magistrados, vários ainda têm força política aqui e ali.
‘O Supremo está emparedado por pessoas que querem abalar os alicerces do Judiciário’,brada Henrique Nélson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a mais poderosa e influente entidade da toga, com 15 mil magistrados a ela agregados.
‘Que processo o Supremo vai julgar proximamente? O mais importante de todos os processos’, diz Calandra. ‘Alguns réus podem estar por trás disso (dos ataques à toga). Que tem, tem. Eu não estou falando do Zé Dirceu (ex-ministro chefe da Casa Civil de Lula), ele foi meu colega da faculdade. Mas é estranhíssimo que no dia em que o ministro Joaquim Barbosa (relator do mensalão) passa o processo para Lewandowski aí vem essa onda toda, que ele (ministro Ricardo Lewandowski) levantou (pagamentos acumulados do TJ-SP). Acho que tem alguma coisa esquisita nisso tudo’, sentencia Calandra.
O desembargador Marcus Faver, dirigente máximo do Colégio de Presidentes dos TJs, também faz suas conjecturas. ‘O Judiciário brasileiro está sofrendo um abalo nas suas estruturas. A quem interessa abalar as estruturas de um Poder constituído e que defende os princípios democráticos de um País?’, indaga Faver, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Rio e integrou a primeira composição do CNJ.
‘Pode até ser gente de fora (do rol dos mensaleiros), não é? Mas ligada a esse grupo’, conspira o presidente da AMB.
Ivan Sartori, presidente do TJ de São Paulo, maior corte do País, vai na mesma toada. ‘Acho que existe sim um movimento contra o Supremo. Não sei qual é a razão. Há várias especulações. Esse movimento vem de lados que não sabemos de onde, mas que vem se utilizando da imprensa com certeza. Alguns especulam que seria do caso do mensalão, outros especulam que seria simplesmente uma divergência, uma dissonância entre o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e o Supremo. A verdade é que existe uma situação de hostilidade, pelo menos a imprensa demonstra, contra o STF por interesses que não sabemos, por enquanto, quais são. Vamos ter que apurar’, prega Sartori.
Com a palavra Edvaldo Pereira de Moura, desembargador, presidente do TJ do Piauí, 64 anos, ‘magistrado de carreira desde 14 de julho de 1977′: ‘O que a gente percebe, não é de hoje, é que parece que existe um movimento orquestrado de descrédito e desmoralização da Justiça. É difícil a gente apontar esse ou aquele por esse movimento, mas a gente percebe esse interesse. O Calandra indica que esse processo (do mensalão) é que motivaria essa preocupação com a desestabilização’.
Carta
Ao fim do encontro, os magistrados endossaram, por unanimidade, carta em que manifestam a preocupação com a crise. Com apenas quatro itens, a carta manifesta ‘profunda preocupação com o momento vivido pelo Poder Judiciário em face da notória exposição negativa a que tem sido submetido em detrimento da democracia’. Enfatizam, ainda, ‘a importância de ser integralmente preservada a autonomia dos tribunais’. Sobre a divulgação das movimentações financeiras da classe, cutucam o CNJ ao enfatizar que ‘o ordenamento jurídico brasileiro impõe a necessidade de autorização judicial para a quebra de sigilo fiscal e bancário, em respeito à dignidade humana’. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Em seu artigo “O turismo em Cabo Frio”, Luciana Rugani soube abordar, com a propriedade de quem frequenta e admira essa bela cidade, uma realidade que precisa ser superada com urgência, para resgatar as qualidades naturais de Cabo Frio – que sempre existiram -, mas foram sendo deterioradas ao longo dos anos, por motivos diversos, entre eles a inércia e a negligência daqueles que teriam poder e instrumentos legais para conservá-la.
Entendo que os cidadãos e a população de Cabo Frio também devem estar atentos para reivindicar e para atuar, com o poder de que dispõem, para eleger representantes capazes de cuidar dessa bela e acolhedora cidade como ela merece. Tenho certeza de que quem conhece a história de Cabo Frio e de seus administradores sabe muito bem como agir para promover as mudanças necessárias. Então, cidadãos, vamos exercer esse poder, votando em quem merece o nosso voto!