Descobrindo a terra de Santa Helena do Cabo Frio
Por Beth Michel
A vida a bordo estava organizada e já tínhamos feito sociais com os vizinhos da Moringuinha – lá no finalzinho do São Bento. Corria o final de do ano de 1987. Faziam parte da nossa exótica comunidade flutuante outros velejadores como nós – quase todos estrangeiros; e alguns pescadores profissionais ou amadores. Bernard (meu marido) trabalhava no estaleiro do, também francês Philippe Hercher, na praia do Foguete, mastreando os enormes catamarãs e trimarãs encomendados por nosso vizinhos. O filho na escola, e eu ocasionalmente era chamada para assumir o timão de algum barco que ia para água no Arraial do Cabo e trazê-lo até Cabo Frio. O resto do tempo não havia muito o que fazer, então chegou a hora de ir mais a fundo no conhecimento da cidade. Afinal, tínhamos decidido que o paraíso era aqui…
Como já disse, no barco tínhamos pouquíssimos livros, não só por falta de espaço, mas também porque papel e água não fazem um bom casamento. E foi assim que em uma das minhas incursões terrestres fui parar no Charitas, onde havia uma biblioteca, um tanto precária, mas era melhor que nada. A diretora Maria Raquel Santa Rosa, me recebeu de braços abertos, e conversa vai conversa vem criamos um projeto conjunto de ministrar aulas (com preço simbólico) de idiomas: Espanhol (eu) e depois Francês (Bernard) e apareceu um professor de inglês do qual só me lembro o apelido: Axé! Mas isto merece um longo parágrafo a parte e deixarei para outra oportunidade…
O caso é que o Charitas era uma espécie de ponto de encontro de artistas, intelectuais, e personagens mais ou menos folclóricos locais, e ali conheci toda uma “fauna” (no bom sentido) de personagens e que se tornaram amigos queridíssimos até hoje. Era muito comum ver Torres do Cabo chegar com sua “tralha” de pintura; e se por a pintar no pátio do Charitas, e logo ser cercado por Casemiro, e Antônio de Gastão ou Elísio Gomes (do Museu do Mar) Muitas vezes os papos e atividades destes freqüentadores provocavam certa dispersão (de atenção) dos alunos, mas valia a pena do ponto de vista cultural. Aumentamos nosso espectro de aulas iniciando cursos de Turismo, Desenho, Pintura, e Programação Visual (desenho publicitário e diagramação), Violão, Poesia…
Entre os profissionais que encamparam a missão de ampliar a cultura de jovens, e gente da melhor idade havia muita gente hoje famosa, e que prefiro não enumerar por temer esquecer algum. Coube-nos também a tarefa de providenciar mobiliário e material didático para nossos alunos, e todo mundo botava a mão na massa.
Havia um jovem senhor sorridente que entrava no Charitas acenando para todo mundo e às vezes ficava parado na porta da sala observando as aulas. A principio achei que era algum pai de aluno, ou até alguém interessado em algum dos cursos e que estava dando uma olhada para conferir, antes de se matricular. Certa feita o jovem senhor me disse que tinha gostado muito de uma das minhas aulas de turismo, e eu fui perguntar para Maria Raquel quem era, já que os dois passavam bastante tempo na sala da diretoria batendo altos papos, donde no mínimo deviam ser amigos… A resposta veio um tanto atravessada: “Como você não CONHECE?” disse-me a diretora. E eu disse: “Não! Por quê? Eu deveria?” já um tanto aflita de estar cometendo alguma gafe… Maria Raquel então abriu um sorriso e disse ora minha querida ele é o nosso prefeito! E foi assim que eu conheci o meu (hoje) amigo Alair Correa, e aposto que ele não se lembra (rs, rs), mas foi muito simpático da parte dele fazer um elogio a uma voluntária (e olímpica) desconhecida e que nem sequer era ainda residente na cidade.
No dia seguinte fui ao cartório e pedi a transferência do meu título de eleitor para Cabo Frio, com as experiência anteriores (Rio e Teresópolis), que eu havia tido com políticos, eu já havia desistido de votar em quem quer que fosse – sempre dava um jeito de viajar e justificar minha ausência em eleições minoritárias. E com este simples gesto, somado a evidente simplicidade deste homem para com seu povo, me fez voltar a querer exercer meu direito de cidadania. Eu nunca havia dito isto para ele – nem para ninguém; até hoje, mas já é hora de que ele saiba!





Aí está, meu Prefeito, o tipo de texto que nos agradam e que farão parte de nosso Jornal, o BEM-VINDO AO PARAÍSO JORNAL. Mil detratores cairão ao nosso lado direito e mais mil cairão ao nosso lado esquerdo e nós seguiremos em frente no caminho da Vitória. A Beth é sua colega colunista no nosso Jornal e Cabo Frio é a Capital do Paraíso!
Abraços!
Tony Fonseca
Oi amigo.
Grata por repercutir… Não carecia!Tô ficando meio baiana como o nosso James (rsrsrs) . O Tony aí em cima, por sua vez, vez tem uma incurável tendencia a ser “superlativo”, mas faz parte… Como diz meu querido amigo e mestre Facury, as pessoas são o que são; e ou você as aceita ou as “deleta” ( estou ficando moderna). Seja como for, mesmo que você não se lembre: foi assim mesmo que eu o conheci, o que relatei neste capítulo que poderá vir a ser um livro ( ainda não decidi) é a mais pura verdade!
Só uma perguntinha – caso você se lembre:
Você realmente gostou daquela minha aula de Turismo, ou foi só um gesto de simpatia?
Eu até me lembro do tema: Era sobre uma epidemia no principio do séc XX ( 1912), e o papel do Forte S. Mateus no episódio… E lembro que Antônio de Gastão participou contando o que tinha ouvido falar na época!
Lembre você ou não, para mim foi da maior importância nas minhas escolhas…
Abraços
Beth