EDITORIAL: Boa receita para tempos de austeridade

O DIA OPINIAO

Sofrendo os efeitos da queda brusca dos royalties de petróleo, Cabo Frio faz um bom dever de casa diante da crise

Rio – Cabo Frio está fazendo um bom dever de casa diante da crise: o prefeito Alair Corrêa está reduzindo quase à metade o seu secretariado, enxugando de 25 para 14 pastas, como O DIA mostrou na última quinta-feira. Os ajustes incluem o corte de quase 4,5 mil cargos comissionados. Só com essas exonerações, economizam-se R$ 700 mil. Corrêa ainda diminuiu o próprio salário e limitou o teto do município a R$ 7 mil.

O remédio para sobreviver a tempos austeros é invariavelmente amargo. Encolher a máquina nessa proporção, independentemente de produtividade, traz alguns impactos. E a população também vai sentir os efeitos da tesoura no subsídio da passagem de ônibus, que passou de R$ 0,50 para R$ 1,50. E a base do IPTU está sendo revista, para mais.

Não há muito a fazer. Cabo Frio sofre impiedosamente os efeitos da queda brusca dos royalties de petróleo, agravante dentro de um macrocenário já negativo, de retração de investimentos e economia estagnada. E o gasto público, historicamente alto e malcuidado no Brasil, contribui para o quadro.

No Brasil, secretarias e ministérios vão além das ações setorizadas: no jogo democrático, ajudam a satisfazer e a acomodar a base — mas não raro traduzem o pior do fisiologismo. E há uma injustificável ânsia, nos três poderes, de aumentar os próprios vencimentos, como se o Erário fosse poço sem fundo. Não é, e a crise está mostrando isso do modo mais cruel. Felizmente há bons exemplos, como o de Cabo Frio — é nele que todos devem se espelhar.

Fonte: O Dia