Querida Beth,
Começo agradecendo pelo artigo - ‘’Quem é esse Cara? ‘’
Embora seu texto não tenha a generosidade comum nas centenas de artigos ou pronunciamentos a meu respeito, escritos nesses 41 anos em que atuo como político, afirmo, sinceramente, que gostei muito do seu artigo.
Os mais apaixonados por mim, os que me consideram Anjo, Gênio e fabuloso orador, devem estar querendo saber quem é essa mulher abusada, sem medo de nós (os Alairzistas) e dos nossos adversários para, corajosamente, expor os defeitos ou virtudes que me caracterizam, no seu entendimento.
Por ter gostado do seu texto, preciso pedir permissão aos bravos amigos de tantas lutas que falam e escrevem coisas bonitas sobre minha pessoa, a maioria verdadeiras, para repetir quefoi do seu texto que tanto gostei.
Se analisarmos alguns pontos, por exemplo, -”Alair não é um orador com frases elaboradas”, devo reputar aos improvisos dos meus discursos e palestras. Elaborar frases descaracteriza o discurso e tira a essência de tese desenvolvida.
Outra afirmação que me parece imprópria: -”Alair não é um homem muito alegre”. Devoafirmar que sou alegre sim, apenas não consigo exteriorizar a alegria que tenho dentro de mim.
Com relação ao -”Alair não é bonito nem atlético”, devo dizer que essa é uma das verdades no texto da querida jornalista. Não sou bonito e como não tenho tempo para as academias, também não estou muito bem fisicamente. Você acertou Beth! No entanto é bom lembrar que minha mulher me acha bem bonito.
O artigo chama a atenção quando diz - ”Alair, se não fosse político poderia ser um artista”. Viajei no tempo até os meus 15 ou 16 anos, quando interpretei uma peça de Natal na igreja Metodista. Representei o Rei Mago Melquior e adorei. Acredito até que, se tivéssemos na época grupos teatrais, o meu caminho bem poderia ter sido outro, diante do prazer que me deu atuar. Evidentemente, em muitas circunstâncias, o político precisa ser um artista. Não me refiro ao comentário crítico, quando, ao falar sobre o político corrupto, alguém diz o seguinte: - ”Esse cara é um artista”!
Estou me referindo ao político artista da ética, o que ama e respeita seus concidadãos. O político artista é o que consegue associar a nobreza dos seus ideais e atos à singeleza dos direitos populares. O político artista é o que consegue levar do palco para o povo, a garra e a humanidade dos idealistas, com o olhar e a confiança dos justos. O político artista se diferencia do cidadão que é apenas artista, porque este está no palco buscando as lágrimas ou o sorriso, de acordo com o teor do texto que interpreta.
O político artista, sem ter decorado o seu texto, só consegue o choro ou o riso dos que, de pé nos comícios, o assistem, quando sabe transmitir sua história de vida. Ou quando, em seusdiscursos, as palavras se encontram com o sonho e a esperança do povo. Os idealistas, os éticos conseguem isto. Essa é a realidade do político artista, que faz com que, dos aplausos edo choro, brotem as esperanças.
Você, Beth, afirma: - ”Alair, se fala a muitos, o discurso chega como se fosse só para mim”! Aí está a diferença do artista comum para o artista político. Este tem que ter um único discurso, mas que chegue com tons diferentes a cada assistente. O outro precisa que o seu texto chegue igualmente à platéia, para o seu reconhecimento.
Beth, eu adorei o seu artigo! Acho até que, se você quisesse, poderia expor outros defeitos que sei que tenho, mas, por bondade e caridade, a mulher independente que você é, decidiu não colocar mais pimenta na sua inspirada tese.
Acredito que seu texto foi bastante competente para informar quem é o “cara Alair Corrêa” .
Alair Corrêa