J.VIGGIANI
Há séculos atrás os políticos descobriram que as classes menos favorecidas da nossa sociedade necessitava de “PÃO e CIRCO”, para deixá-los distantes de qualquer forma de entendimento consciente. E logo descobriram uma forma de usar a maior festa popular do planeta, o maravilhoso carnaval, com os desfiles das Escolas de Samba e seu espetacular show de brilho e luxo. Porém as Escolas de Samba pequenas e sem muito recurso financeiro não conseguem acompanhar as chamadas grandes, principalmente as agremiações das cidades do interior onde o carnaval é visto mais pelo lado financeiro que o cultural, pois a maioria depende de subvenção da prefeitura e ainda tem que driblar os aproveitadores. Sendo assim, logo apareceram os políticos para tirar vantagem deste fato. Então, algumas Escolas de Samba, pressionadas pelo regulamento das Ligas ou Associações de Escolas de Samba que exigem um carnaval bonito, resolveram abrir espaço para mais um tipo de enredo, além dos históricos e comerciais, criaram os enredos encomendados ou enredo político, que em ano eleitoral virou uma forma das agremiações captarem verbas ou uma forma de algumas diretorias levarem vantagens após o carnaval, isso dependendo do resultado das eleições, é claro!
O samba enredo que antes servia para marcar o andamento da escola durante o desfile e contar o enredo apresentado, agora serve também como “Cabo Eleitoral” de políticos em busca de votos, usando esta festa popular para conquistar a simpatia do eleitor e conseqüentemente seu precioso voto, beneficiando a imagem do político junto à comunidade.
O enredo e seu samba-enredo nestas circunstâncias servem para o processo comunicativo proporcionado pela alegria que toma conta dos componentes ao cantar e sambar ao ritmo da bateria, e assim alguns políticos aproveita a festa que a cada dia fica mais midiatizada, para fazer o seu palanque eleitoral momesco. Os políticos acreditam que as mensagens persuasivas podem vir inseridas na letra do samba enredo, servindo como reforço de opinião na decisão dos eleitores. Este tipo de enredo acaba criando uma parceria entre a agremiação e o homenageado, que usa o sambista e componente para conseguir seu propósito principal que é um número maior de votos, este tipo de marketing político feito durante o carnaval pode até ajudar a escola na parte financeira, mais por outro lado pode prejudicar a Escola de Samba se o político não for eleito, se a escola cair de grupo ou ficar nos últimos lugares. O carnaval já sofreu tantas metamorfoses, e nem por isso perdeu seu esplendor e brilho, não será por servir de marketing político para alguns candidatos a cargo eletivo e reforçar o caixa da escola com uma graninha extra que ele perderá seu encanto. Agora até que ponto, ele influenciará os eleitores é que não sabemos. Como também não podemos afirmar que esse procedimento infringe as leis eleitorais.
De uma coisa todo sambista verdadeiro tem certeza, é que do jeito que vai o nosso carnaval, não teremos mais sambas enredo antológicos como: Exaltação a Tiradentes (Império Serrano 1949), Xica da Silva (Salgueiro 1963), Heróis da Liberdade (Império Serrano 1969) e outros tantos.