O SR. ALAIR CORRÊA – Sr. Presidente que ora preside os nossos trabalhos, Srs. Deputados, estamos retornando a esta Casa depois de 12 anos de ausência, quando aqui estivemos fisicamente defendendo o povo de nosso Estado. Mas também estivemos representados aqui, a partir de 2002, pelo nosso filho, o falecido Sr. Deputado Márcio Corrêa.
É evidente que, depois de 12 anos, retorno a esta Casa com muito mais experiência. Aprendi muito à frente do Executivo para dar a minha contribuição ao Parlamento do Estado do Rio de Janeiro. Estarei vigilante nesta tribuna. Já nos comícios que realizei para milhares de pessoas no Estado do Rio de Janeiro, mais precisamente na Região dos Lagos, afirmei sempre que seria forte nesta tribuna, na defesa dos interesses do povo do meu Estado. Procurarei, daqui deste local, impedir, se for possível, que se cometam injustiças com governos anteriores, com companheiros que não estão mais aqui, com os mais diversos segmentos da nossa sociedade.
Estou na bancada do Sr. Governador Sérgio Cabral, para quem pedi voto e que ajudei a eleger, ao contrário de outros Srs. deputados que, talvez, tenham sido eleitos com os votos do Sr. Governador Sérgio Cabral. Isso me dá, então, bastante qualidade para sair em sua defesa quando for necessário e, também, para defender aqueles que forem injustiçados.
Nós, que somos da Região dos Lagos, começamos uma nova era em 1994, quando aqui cheguei, quando alertei o então Sr. Governador Marcelo Alencar que estava na hora de fazer a verdadeira fusão deste Estado. O Governador deste Estado se fixava aqui na capital e não dava nenhuma atenção ao interior do Estado, à periferia deste Estado. O Sr. Governador Sérgio Cabral começou, então, numa verdadeira romaria, a visitar o antigo Estado do Rio e a levar as obras que começaram a fazer a grande mudança neste Estado.
Esta Casa foi cercada em várias ocasiões, quando eu liderava a bancada do PSDB, pelos corporativistas que não queriam que nós resolvêssemos o problema da água, do acesso da energia elétrica da nossa região. E nós, aqui desta tribuna, a trincheira que escolhemos para defender a nossa região e o nosso Estado, fizemos valer, fizemos com que o Governador percorresse o Estado do Rio, levando as suas obras e mudando a história da Região dos Lagos.
Chegaram o Sr. Governador Garotinho e, em seguida, a Sra. Governadora Rosinha. Não vamos agora, porque somos ligados ao PMDB, porque somos ligados ao Sr. Governador Sérgio Cabral, permitir que aliados de ontem, que se beneficiaram do Governo Garotinho, que se beneficiaram do Governo Rosinha, hoje, querendo tirar proveito do novo governo, na imprensa, nas rádios e nos jornais façam comparações absurdas, esquecendo o que esses dois governadores fizeram pela Região dos Lagos.
Esquecer o feito é o mesmo que sepultar histórias; esquecer o atendimento à população é o mesmo que virar as costas para o direito, para o justo. Nós sabemos das dificuldades deste Estado, quando se fala em déficit de um bilhão e quinhentos milhões. Vão ver o déficit do Estado de São Paulo, que é de bilhões e bilhões. Na maior potência do mundo, os Estados Unidos, são trilhões de dólares de déficit.
Cabe então a nós, que somos governo, trabalhar para diminuí-lo dentro de princípios que possam ser vistos pela sociedade, respeitosamente pela sociedade.
Os ministros do Sr. Presidente Lula começam a falar que é preciso fazer um governo com programa de 20 anos. Em Cabo Frio, com um programa de 20 anos executado a partir de 1996, nós mudamos a história daquela cidade.
Infelizmente, os homens estão vendo depois o que já deveria ter sido feito anteriormente. Não será em um ano que acabaremos com um déficit público de um bilhão e quinhentos milhões de reais. É preciso também, como eu fiz em Cabo Frio e como se quer fazer agora no âmbito do governo federal, estabelecer um programa que vá diminuindo esses déficits sem afetar a sociedade fluminense, sem afetar as crianças, os jovens, as famílias deste grande Estado.
É uma alegria enorme voltar para a Assembléia. É muito melhor, posso dizer, do que ser executivo, porque não se tem uma tribuna como esta. Naquela ocasião não tínhamos, como agora, um canal de televisão entrando nas casas dos cidadãos deste grande Estado.
Na passada, no mês passado, em uma grande reunião, eu falava de sonhos, eu falava de projetos. Mencionei que nos Estados Unidos, em uma reunião com seus alunos, um de professor de medicina citava a história de Bethoven. Ele lembrava que os pais de Bethoven eram uma mulher com tuberculose e um homem com sífilis. O primeiro filho do casal nasceu cego; o segundo nasceu surdo; o terceiro nasceu com defeito nas pernas; o quarto morreu. Quando aquela mulher estava grávida do seu quinto filho, os vizinhos, todos, começaram a orientá-la no sentido de abortar. O professor, então, sugeriu aos alunos da universidade uma votação e eles decidiram no voto que aquela mulher deveria provocar um aborto.
O professor falou para os alunos: “Vocês acabaram de matar Bethoven, simplesmente porque Bethoven, o mestre da composição, com 250 anos de história, nove sinfonias, três destinadas a Napoleão, simplesmente foi o único filho daquela mulher – quatro nasceram com problemas – que nasceu normal.” Quase privam o mundo da sua experiência, da sua vocação, da sua inspiração.
Abordo isso para dizer aos deputados que estão ingressando comigo neste mandato que não deixem que ninguém aborte o seu sonho. O sonho é seu, assim como o voto é seu, assim como o voto é meu. O meu voto tem que valer nesta Casa. Não pertence ao Presidente do Tribunal de Contas, do Conselho de Contas, não pertence ao Presidente do Tribunal, não pertence ao Presidente do Tribunal de Justiça, não pertence ao governador, pertence a você, que é deputado. Se quisermos ser fortes, não deixemos que abortem os nossos sonhos. É preciso deixar viva em cada um dos senhores a nossa esperança. Se assim for, mudaremos realmente a história do Estado do Rio de Janeiro e conceituaremos o Parlamento fluminense.
Muito obrigado!
Alair Corrêa
FONTE: Alerj





