PF investiga esquema milionário no RJ: apura lista com 61 políticos e gráficas

PF investiga esquema milionário no RJ: apura lista com 61 políticos e gráficas

16/07/2026 Off Por Alair Corrêa

A Polícia Federal (PF) lançou uma nova fase de investigação que sacode o cenário político do Rio de Janeiro. Em foco está um complexo esquema de suposto financiamento ilegal de campanhas eleitorais, envolvendo altas somas de dinheiro e diversas empresas gráficas. No centro da apuração, as autoridades apura lista com 61 nomes de políticos do estado, além de um montante vultoso que ultrapassaria os R$ 20 milhões em repasses. Este caso, que se desenrola a partir de documentos apreendidos na residência de um conhecido bicheiro, detalha uma teia de conexões que levanta questionamentos profundos sobre a integridade do processo eleitoral de 2022 e a influência de grupos criminosos na política fluminense em 2026.

Origens da Investigação: Planilhas e Operações Anteriores

A presente etapa da investigação tem suas raízes na Operação Smoke Free, deflagrada em 2022. Naquela ocasião, foram apreendidas planilhas manuscritas na residência de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, figura proeminente no jogo do bicho. Esses documentos revelaram uma intricada rede de pagamentos e a menção explícita a dezenas de políticos.

Não demorou para que as informações contidas nessas planilhas se tornassem o motor para aprofundar a Operação Unha e Carne, que chegou à sua quinta fase. O foco principal passou a ser a estreita ligação entre as campanhas eleitorais e um seleto grupo de empresas gráficas, suspeitas de servirem como canais para a lavagem e injeção de dinheiro ilegal. A PF está trabalhando intensamente para cruzar os dados internos e as declarações oficiais, buscando desvendar a verdadeira extensão dessa alegada manipulação financeira.

O Conteúdo das Planilhas Incriminatórias

As duas planilhas encontradas na mesa de cabeceira de Adilsinho foram o ponto de partida para a atual fase da investigação. Elas detalham pagamentos que superam R$ 20 milhões, com anotações claras de transações “em espécie” e “no banco”, associadas aos nomes de 61 candidatos que concorreram nas eleições de 2022. A simples comparação entre essas anotações e as prestações de contas oficiais entregues ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já levantou sérias suspeitas.

“O confronto entre os manuscritos apreendidos e as prestações de contas oficiais declaradas ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro revelou perfeita convergência de dados, reforçando a hipótese investigativa de que a organização criminosa injetava dinheiro em espécie diretamente nas campanhas de candidatos que, posteriormente, atuavam como defensores dos interesses do grupo nos Poderes Legislativo e Executivo.”

Este trecho da investigação ressalta a complexidade e a premeditação do esquema, onde a injeção de fundos ilegais visaria assegurar influência política para os interesses da organização criminosa.

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Origens da Investigação: Planilhas e Operações Anteriores

O Papel das Gráficas no Esquema

A Polícia Federal identificou um total de seis empresas gráficas que supostamente foram utilizadas para operacionalizar o esquema de financiamento ilícito. As gráficas seriam contratadas pelas campanhas eleitorais, mas os pagamentos, na verdade, seriam custeados pelo grupo ligado a Adilsinho. Este método permitiria que o dinheiro ilícito fosse “lavado” e integrado às campanhas de forma aparentemente legal.

  • Gráfica Editora Completa
  • Nova Visual Representações Gráficas
  • INC Indústrias Gráficas e Editora
  • Apel Gráfica e Editora
  • Fast Gráfica e Editora
  • Paper Color Gráfica e Editora

A Gráfica Editora Completa é apontada como a principal engrenagem desse sistema. Somente durante o pleito de 2022, a empresa prestou serviços para 73 candidatos, movimentando quase R$ 1,5 milhão, majoritariamente proveniente de fundos públicos eleitorais. Este montante levanta sérias dúvidas sobre a real origem e destinação dos recursos.

As seis gráficas foram alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Unha e Carne, sendo que quatro delas já haviam sido investigadas na Operação Smoke Free, evidenciando um padrão de atuação suspeita. Relatórios da PF também indicam ligações financeiras diretas entre Adilsinho, seus colaboradores e os proprietários das gráficas, como 47 transferências da Companhia Sulamericana de Tabacos para a Apel Gráfica, totalizando R$ 1,8 milhão. Além disso, Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilsinho, recebeu R$ 300 mil da mesma empresa. A PF continua a apura lista com cuidado.

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O Papel das Gráficas no Esquema

Desdobramentos e Prisões Recentes

Nome do Envolvido Cargo/Associação Situação Atual
Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho) Bicheiro Já estava preso, cumprido novo mandado
Márcio Pôncio Ex-chefe da Polícia Civil Mandado de prisão cumprido
Rodrigo Bacellar Ex-presidente da Alerj Mandado de prisão cumprido, transferido para presídio federal

A quinta fase da Operação Unha e Carne resultou no cumprimento de três mandados de prisão significativos. Além de Adilsinho, que já estava detido, foram presos Márcio Pôncio, ex-chefe da Polícia Civil, e Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi transferido para um presídio federal em Brasília.

A decisão de Moraes foi embasada na continuidade de privilégios que Bacellar estaria recebendo no sistema prisional fluminense, incluindo acesso a telefones celulares, o que lhe permitiria manter influência sobre integrantes do poder público estadual. Este movimento estratégico visa garantir a imparcialidade das investigações, evitando qualquer tipo de interferência política local. A PF segue atenta aos detalhes, conforme as investigações de corrupção avançam.

Reações e Defesas

Até o momento, as defesas dos envolvidos têm reagido de diferentes maneiras. A defesa de Rodrigo Bacellar optou por não emitir comentários sobre o caso. Já os advogados de Bernardo Loyola afirmaram não ter tido acesso integral aos autos da investigação e que seu cliente desconhece os pagamentos mencionados. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro, por sua vez, declarou não ter sido oficialmente comunicada sobre os motivos da transferência de Bacellar, mas assegurou que revistas periódicas foram realizadas durante sua custódia no estado, sem a detecção de materiais irregulares. A dinâmica desse caso demonstra a complexidade da justiça e a necessidade de clareza nas investigações de corrupção.

Perguntas Frequentes

Qual a origem da investigação que apura lista com políticos do RJ?

A investigação teve início com planilhas apreendidas na casa do bicheiro Adilsinho durante a Operação Smoke Free, em 2022, que detalhavam pagamentos e nomes de políticos, indicando um possível esquema de financiamento irregular de campanhas.

Quantos políticos estão envolvidos na lista investigada pela PF?

Atualmente, a Polícia Federal apura uma lista com 61 políticos do Rio de Janeiro, cujos nomes foram registrados nas planilhas apreendidas, com valores que somam mais de R$ 20 milhões em supostos repasses.

Qual o papel das gráficas no esquema investigado?

Seis empresas gráficas são suspeitas de serem utilizadas para operacionalizar o esquema, com contratos de campanhas eleitorais supostamente custeados pelo grupo ligado ao jogo do bicho, servindo como meio para lavagem de dinheiro.

Quais foram as prisões de destaque na Operação Unha e Carne?

Na quinta fase da Operação Unha e Carne, foram presos Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho), o ex-chefe da Polícia Civil Márcio Pôncio, e o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que foi transferido para um presídio federal.

Por que Rodrigo Bacellar foi transferido para um presídio federal?

O ministro Alexandre de Moraes determinou a transferência de Bacellar para um presídio federal em Brasília devido a indícios de que ele ainda recebia privilégios no sistema carcerário fluminense, como acesso a celulares, o que poderia permitir que ele mantivesse influência sobre agentes públicos estaduais.

Conclusão

A investigação em curso da Polícia Federal revela a persistente batalha contra a corrupção e a influência do crime organizado na política do Rio de Janeiro. A minuciosa análise da **apura lista com** 61 políticos e o envolvimento de gráficas em um esquema de R$ 20 milhões ressaltam a complexidade e a ousadia das redes criminosas que buscam subverter o processo democrático. Os desdobramentos, incluindo prisões de figuras proeminentes, demonstram o compromisso das autoridades em coibir tais práticas. À medida que as investigações prosseguem, a expectativa é que mais detalhes venham à tona, fortalecendo a transparência e a responsabilidade na gestão pública, essencial para a confiança da população nas instituições.

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